25.09.12
Entre treinos e trabalho, vamos correndo
José Guimarães
Os treinos
Treinar é "fácil". O pior é mesmo arranjar tempo para treinar de forma decente, já para não dizer, correta. Felizmente tem acontecido. E é importante que, entre as outras correrias do dia-a-dia, eu consiga encontrar esse espaço que necessito para treinar. Principalmente agora que, como podem ver, o volume dos treinos aumenta, sempre com vista ao meu objetivo (puf, puf!!!) do final do mês de Outubro. E porque desde que "esta coisa" da corrida se apoderou de mim, do meu corpo, da minha mente, que não me é possível passar sem correr, por muito pouco que seja. Falo algumas vezes com amigos e desconhecidos (que acabam também por se tornarem amigos) sobre isso e é inegável o facto que, ou se gosta muito de correr, ou não se gosta mesmo nada. Mas mesmo aqueles que não gostam mesmo nada, admiram o facto de alguém calçar um par de ténis e lançar-se a correr meia hora, 10 km ou mais. Só para treinar. Só porque sabe bem. Só porque apetece. Experimentem. Sintam-se tentados...Urban Night Race, em Lisboa
E porque apeteceu, na noite de 22 para 23 de Setembro, mais de 3.000 pessoas participaram na primeira edição da Lisboa Urban Night Race, percorrendo as ruas dos bairros mais típicos de Lisboa, fosse a correr ou a caminhar. Desde o Campo das Cebolas à Bica, Bairro Alto, Castelo, Alfama e Mouraria, muitas foram as subidas e as descidas, as rampas e as escadarias. E muita foi também a curiosidade e o entusiasmo das pessoas que se cruzavam com a prova. Desta vez não participei. Estive a acompanhar a prova do outro lado, dando uma ajuda à organização e apoiando os participantes. E tive o prazer de acompanhar, não os mais rápidos, mas os mais lentos. Aqueles que, entre suores e sorrisos, nos dão uma lição no simples ato de chegar à meta, conseguindo mais do que uma vitória, talvez o início de algo maior. Talvez o início de novos desafios, novos e maiores objetivos. Talvez uma motivação acrescida para fazer desta atividade "estranha" que é correr, um primeiro passo na adoção de um novo estilo de vida, abandonando o sedentarismo em prol de um dia-a-dia recheado de actividade física. A Urban Night Race seguirá agora de armas e bagagens para a cidade do Porto e também Coimbra, onde espero que tenha tanto sucesso quanto o que teve em Lisboa e que faça com que mais pessoas se sintam tentadas a experimentar correr. As más notícias sobre exercício físico
Hoje li uma notícia que dizia que metade dos portugueses não pratica atividades físicas. Como é possível? Ainda outro dia num post eu estabelecia um paralelismo entre a alta taxa de desemprego e a quantidade de pessoas que se vêem hoje em dia na rua a praticar exercício físico, seja a caminhar, a correr ou a fazer ginástica num daqueles inúmeros equipamentos que se podem ver plantados como árvores em parques e jardins. E praticamente sem exceção, todas as pessoas com quem falo sobre corrida e treinos, ou dizem que "fazem qualquer coisa" ou que "querem começar a fazer exercício", seja porque gostavam de participar numa prova ou de perder aqueles quilinhos a mais. Ora como é possível que mais de metade da população não pratique exercício físico, quando a vontade que eu vejo espalhada por aí é tanta? Tenho que concluir que, ou ainda não estão a fazer nada, ou então o problema é outro. E de facto pode bem ser. É referido na notícia que, apesar de cada vez mais os especialistas defenderem a prescrição de exercício físico como forma de prevenir ou tratar várias patologias, ainda não é muito recorrente a recomendação de exercício físico por parte dos médicos de família. E não é porque não acreditem nos seus benefícios para certos casos. Mas porque geralmente estes profissionais não possuem conhecimentos nesta área, ou seja, não sabem que tipos de exercício físico são os mais adequados a cada caso. Creio que, quanto a isto, a solução seria simples: talvez propôr outras áreas de formação para os médicos, ou a possibilidade dos especialistas trabalharem a par com os profissionais de saúde. Faço acompanhar esta minha opinião dos últimos números, nada tranquilizantes: 49,5% dos adultos têm excesso de peso ou obesidade, dois milhões são hipertensos e, aproximadamente, um milhão são diabéticos. Nada bom...