07.07.14
O treino que não estava nos planos
José Guimarães
Se não conhecem a cascalheira, imaginem uma encosta tão inclinada que, para se conseguir subir, só se formos praticamente de gatas e com as mãos a puxar pelo chão. A juntar a isto, dá-se o nome de cascalheira porque o solo é formado por cascalho, pedras soltas que, ao mais pequeno descuido, deslizam encosta abaixo, levando uma enxurrada de pedras e - se não temos cuidado - nós próprios. Mas como um dia alguém se lembrou de dizer "diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és", lá nos fizemos todos juntos à aventura. Mais ou menos a meio da aventura, já não sabíamos se o melhor era continuar a subir ou voltar para trás. Alguns mais habilidosos nas artes da escalada lá subiam, com mais ou menos dificuldade, entre o cascalho e penedos da serra, fazendo a Serra da Freita parecer um desafio fácil. Mas outros não arriscavam e iam ficando para trás, o que fez com que passadas umas dezenas de minutos, enquanto uns continuavam a subir, outros já tinham optado por descer até à base da dita cascalheira.
Se é perigoso? Sim, é perigoso, há que o reconhecer. É perigoso embarcar numa aventura destas sem - no mínimo - se conhecer o caminho como a palma das nossas mãos, com a agravante das horas irem passando e já não termos muita disponibilidade de tempo para encontrar um caminho certo para chegar ao topo e encontrar um caminho mais "dócil" para voltar a descer. Sim, porque voltar pela cascalheira parecia estar fora de questão. Mas claro que as aventuras têm sempre um lado gratificante. Não, ainda não vou falar das tortas de Azeitão. Vou falar da sensação da chegada ao marco geodésico no pico do Formosinho, na vista, nas fotografias, nas boas emoções que se podiam ver pelos sorrisos de todos nós. Depois desta pequena-grande conquista, voltar a descer foi brincadeira de crianças e decerto que voltar a subir (ok, por outro caminho mais "corrível") até lá acima ficou na ideia de alguns de nós. Na minha pelo menos sei que ficou!... Quem me acompanha? Quem me conhece sabe que para mim é praticamente impossível falar de corridas e não falar de quem me acompanha. E mesmo que corra sozinho, certamente tenho sempre alguns Seres especiais que sempre me acompanharão, se não em presença, com certeza que no coração. Ontem contámos com a companhia uns dos outros. Fosse enquanto corríamos todos juntos, fosse quando só alguns alcançavam o topo e iam dando notícias para tranquilizar os restantes, fosse no brinde final a acompanhar a recompensa do treino, na forma de uma deliciosa torta de Azeitão. Tenhamos nós sempre a sorte de andarmos bem acompanhados a fazer aquilo que nos faz felizes e andaremos sempre com um sorriso no rosto e outro no coração. Porque isso é em grande parte aquilo que me faz gostar destas "correrias". Já agora, fica a imagem com o percurso da subida a vermelho e o percurso da descida a verde (cliquem na imagem para aumentar). Quando é o próximo treino?
Treino Arrábida - Casalinhos Pirosos