Assim foi a minha primeira maratona. Fiz tudo para que corresse bem: treinos, alimentação (não esqueci os hidratos de carbono no jantar da noite anterior), suplementos, hidratação, duplo par de meias e vaselina nos pontos críticos... nem esqueci o meu gel e as barrinhas energéticas durante a corrida, a qual tudo teve para comer e beber: água, bebidas isotónicas, bananas, barrinhas energéticas, isto num total de 16 postos de abastecimento... enfim, um evento muito, mas muito bem organizado.
Do início até aos 10 kms
Iniciei a corrida no meio de um mar de gente, ainda bem longe do pórtico de partida, colado ao (à) pacemaker das 4:00 horas. Para quem, como eu, não conhece este sistema, os pacemakers são pessoas que a organização coloca no meio da corrida e que indicam o tempo que vão fazer na prova, através do vestuário e de um balão que levam consigo. Assim, quem quer fazer 4:00 horas, já sabe que só tem que ir com aquele pacemaker. Há para todos os gostos, desde os que fazem 4:30 horas e vão de 15 em 15 minutos até às 3:00 horas. Estive no grupo da segunda partida, que se deu cerca de 10 minutos depois da primeira partida, sempre acompanhadas de música (Carmina Burana) e de uma contagem decrescente em uníssono e... em alemão. Dado o tiro (literal) de partida, fiz os primeiros kms com o grupo da pacemaker das 4:00 horas, nas calmas (sempre a tocar nos 5'50 mins/km) e sem qualquer tipo de dificuldade, a ambientar-me ao frio e ao equipamento novo: as mangas e as calças de compressão, que se revelaram duas compras essenciais. Bebendo e comendo sempre um pouco de tudo nos postos de abastecimento (lá diz o ditado que "grão a grão, enche a galinha o papo"), comecei a afastar-me do grupo antes de chegar aos 10 kms, a meio de uma zona muito calma e bonita de jardins no norte da cidade: Englisher Garten, onde a maior parte dos corredores aproveitaram para deitar fora os líquidos em excesso. Aqui a sensação que eu tinha era que neste tipo de ambiente, com muita muita gente a apoiar em todo o lado nas ruas, à porta das suas casas, com campainhas, tambores e tudo o que tinham para fazer barulho, com pórticos onde a organização passava música (grandes selecções musicais), bandas de todos os géneros... enfim, neste tipo de ambiente é muito fácil correr, senti-me sempre impulsionado por uma mão invisível que ora me dizia "corre mais rápido", ora me dizia "gere o esforço". E acabei a fazer um pouco dos dois.
As passagens dos 20 kms e dos 30 kms
Ao chegar aos 20 km ainda me sentia bem fresco, comi o meu segundo gel e mantive o passo dos 10 km anteriores, pouco mais de 5 mins/km, sentindo o corpo agora bem aquecido e divertindo-me sempre com o fantástico ambiente à minha volta. Já na zona sul da cidade senti que podia gerir bem o esforço e aumentar um pouco mais a passada. Assim, aos 30 km comi a minha barrinha energética e, como já não tinha mais energéticos comigo e já só ia contar com os dos postos de abastecimento, comecei a puxar um pouco mais, mantendo-me sempre abaixo dos 5 mins/km. Apesar das pernas aqui começarem a ressentir-se mais, o meio meio de comparação era com o Passeio Marítimo de Oeiras, ou seja, para mim, nada mais simples do que repetir algo que tantas e tantas vezes fiz, que são os 10 km da praxe, a um ritmo rápido e com carga nos músculos dada pelos treinos dos dias anteriores. E assim levei a corrida até ao fim...
O final...
Os últimos 5 km e, principalmente, os últimos 2 km foram... ufff!!! Inesquecíveis... a adrenalina que toma conta de nós à chegada à zona do estádio, de onde se ouvem todos os sons, música, multidão, tudo... as pernas correm ainda mais do que julgávamos serem capazes e é ali que se dá o tudo por tudo e se esgotam todas as reservas que ainda sobram. Feita a curva à direita ficamos com o túnel de acesso ao estádio bem à nossa frente, escuro mas cheio de luzes, tantas que mais parecia uma discoteca. Trata-se de um pórtico que mais parece uma discoteca, cheio de animação e flashes onde as máquinas automáticas tiram fotos aos corredores que vão entrando no estádio e onde todos aproveitavam para fazer as suas poses de verdadeiros campeões! E depois vem a sensação maior, que é sair do túnel e entrar no estádio... onde a minha irmã e a Inês aguardavam para me atirar a bandeira nacional, com a qual voei até à meta montada uma volta depois em plena pista. Terminei com 3 horas e 38 minutos... Que posso dizer? É uma sensação inesquecível, correr com muita cabeça e com muita emoção do início ao fim de um evento assim é recomendável pelo menos uma vez na vida a qualquer Ser humano. Não só pelo bem estar físico que proporciona a corrida, mas mais até pela oportunidade da partilha, do convívio, dos exemplos de camaradagem e entreajuda a que se assiste. Como se durante aquelas horas tivéssemos o privilégio de viver num mundo perfeito, onde tudo funciona, tudo encaixa, tudo trabalha (e trabalhou) no mesmo sentido. Foi o cumprir do objectivo traçado há muitos meses atrás, foi a minha primeira maratona e com certeza que não será a última... venham novos e renovados objectivos!
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